À procura...

...da sabedoria, da felicidade, do amor e de várias coisas que eu perdi...e de outras coisas que ainda não encontrei.

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...da sabedoria, da felicidade, do amor e de várias coisas que eu perdi...e de outras coisas que ainda não encontrei.
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Terra Blog

Categoria: Histórias

03.09.08

Ne me quitte pas

categorias: Histórias

 

Um senhor de casaco preto virou a esquina lentamente. Não tinha pressa de chegar. Ao longe viu um casal de jovens sentados no banco da praça, olhando na mesma direção, mas não pareciam ter o mesmo propósito. Eles conversavam quase que com sussurros, angustiados, mas discretos. O senhor ia chegando cada vez mais perto, e não conseguia desviar o olhar dos dois. Olhando detalhes dos trejeitos, como ela falava e gesticula pra se fazer entender. E como ele puxava a manga da blusa, tampando metade do rosto, e só olhando para ela de canto de olho, em uma mistura de medo e pesar.
Ao passar pelo casal, ele se assustou com a alteração na voz da jovem, e ele então ouviu a frase que conhecia de outros tempos. Ela disse, clara e pausadamente, como que destrinchando e degustando cada letra, de cada palavra, daquela frase.
Não me deixe.
Ele olhou para aquela figura atordoada, e viu que era apenas uma menina. Muito jovem, cabelos cumpridos, olhos vivos, e no momento bem vermelhos. As lagrimas caiam de seus olhos como que sem ela perceber, ou permitir.
Ele continuou caminhando, sentiu o perfume delicado de lavanda quando, por ele, andando rapidamente, como que à procura de algo perdido, passou a jovem atordoada.
Ele olhou para trás, viu somente o jovem que com ela conversava. Sentado, e com a cabeça entre as mãos, ele continuava olhando o horizonte, agora sozinho. Uma figura única, sentado em um banco de madeira, de uma praça qualquer.
O senhor de casaco preto virou a outra esquina...

 

A melhor coisa que alguém pode fazer por nós, é nos abandonar. Assim podemos crescer e evoluir com a dor. Temos a oportunidade de ter um novo começo, uma nova chance de conhecer alguém melhor, de construir uma relação melhor, e de fazer tudo muito melhor.

 

Izis Bispo

 * Continua...

18.07.08

Dona Chororô

categorias: Histórias

 

Ela gostava de chorar, não tinha preconceito quanto a ocasião. Das mais normais como enterros, despedidas, casamentos, filmes românticos... até aquelas em que não se esperava o choro, como horário político, apresentação de circo e ao sentar no banco do ônibus.
Dona Chororô, que é claro que não era seu nome verdadeiro, mas não se encontraria chamamento mais adequado a esta, foi assim desde sempre. Foi um bebê chororô, uma menininha chororô, uma moça chororô, uma senhora chororô. Quando criança isso era normal, crianças choram simplesmente por que são crianças. Quando moça atribuíam o choro a melancolia que faz parte da idade, só que o tempo foi passando, passando e passando...e dona Chororô?????
Chorando!

Izis Bispo

14.07.08

Fique sem mim

categorias: Histórias

Este é a história de alguém que nasceu pra ser ninguém...


Ele sempre soube muito bem qual era sua missão. Sua missão é ensinar aos outros como lidar com a ausência. Passava o tempo a ensiná-los como passar bem quando não mais, o que se quer, se tem. Como não sentir falta, como não se lembrar das coisas que não estão presentes. Como dar valor ao seu presente.

Ele passava pelos lugares tentando não se fazer notar, às vezes brigava, discutia, debatia, para se fazer entender. Mas não é fácil não se apegar, não se preocupar, não se envolver.

Pode não parecer, mas para algumas pessoas é fácil esquecer. Para outras muito fácil ser esquecido. Ele era das pessoas que, como os elefantes, nunca esquecia, para quem não sabe, a memória dos elefantes é muito boa, por isso a famosa frase “Os elefantes nunca esquecem”.

Mas também não se lembrava de tudo sempre.Era facilmente esquecido. É fácil se perder na memória alheia. Isso é o que ele fazia. Essa era sua vida.

Não gostava de fazer falta, de ser lembrado, notado. Não se fazia indispensável, era somente, às vezes, necessário. Pouquíssimas vezes. Tudo que fazia, qualquer um pode fazer. Até que um dia...

Continua...

 



10.06.08

Onde foi parar esse pé X - FINAL

categorias: Histórias

 

E Onde foi parar o pé? Depois do pé na bunda, o pé na fossa, de histórias sem pé nem cabeça, o pé foi parar na igreja. Não, o pé não foi pagar promessa, nem foi parar no altar. Mas esse par de pezinhos 36 foi prestigiar um capítulo muito bonito de uma história de amor. Aquela noiva estava lá pra provar que existem histórias de amor. Não contos de fadas, mas história de quem ama de verdade, e tem coragem pra isso. Que não se importa com que os outros vão pensar, e sim com que o coração sente. Que tem o dom de perdoar, pois aceitar o perdão é tão difícil quanto pedir perdão. Pessoas especiais que sabem amar e que sabem se deixar amar, por que merecem isso.
Por via das dúvidas a menina dos olhos pequenos ao cumprimentar os noivos lembrou-se de alguns comentários que não poderia deixar de fazer. Ao noivo ela lembrou de dizer: - Faça ela feliz!- E depois tentando não parecer tão rude completou: - Seja feliz também. À noiva que estava radiante, foi abraçada com votos sinceros, a menina desejava do fundo do coração que ela realmente fosse feliz. A retribuição da noiva foi ceder um pouco da barra de seu vestido para dar sorte. Para quem não sabe, colocar o pé embaixo da barra do vestido da noiva dá sorte, e elas já tinham combinado isso faz tempo. Pelo menos nesse dia a menina sabia onde o pé ia parar.
E o pesinho queria mais, colocou um sapatinho branco bem confortável e foi comemorar sua nova primavera. Apesar de ser outono. Há muito tempo ela não sabia o que era uma balada de verdade, e com as pessoas certas, foi. Foi comemorar não sabia muito bem o quê, era pra ser seu aniver, mas ela não estava a “animação em pessoa”, mas a noite prometia. Dançou tudo que podia e devia. Bebeu tudo que quis, e até o que não devia, com direito a ganhar concursinho da bebidinha de fogo. Apesar do sono, a noite tinha valido à pena. Mas tentar fingir que estava tudo bem não fazia as coisas melhorarem, fugir nunca é uma opção.
E os dias foram passando, somente como datas nos jornais, uns mais rápidos, outros se arrastando lentamente. Em alguns dias a menina de olhos pequenos achava que as coisas em sua vida aconteceram da maneira que devia ser, que talvez na sua história as pessoas é que tinham acertado, que todos tinham feito a coisa certa, menos ela, principalmente quando tentava lutar contra. Em outros dias se achava injustiçada, achava que poderia e deveria ter lutado mais, que as coisas não poderiam ser assim, e a tristeza a invadia.
E se passaram dois meses desde que essa história começou. As coisas começaram a parecer entrar no eixo, ela começou a entender que tudo isso fazia parte dela, as duvidas, os transtornos bipolares, a alegria e euforia intensa, e a tristeza que parecia tão imensa. Era difícil entender que as coisas passam, que as pessoas vão embora, e que tudo que ela já sabia, mas tentou esquecer, eram a única verdade. Estamos sempre só, mesmo quando temos alguém ao nosso lado. Somos seres humanos únicos, impares, por isso não existe um par perfeito. Mas isso não quer dizer que não podemos nos divertir com os pares imperfeitos.
Ainda sairão muitas lagrimas daqueles olhos, e muitíssimos sorrisos daquela boca. A menina ainda se dedicará a muitos sonhos, e abrirá mão de tantos outros.
A vida é isso, encontros e desencontros, as pessoas certas na hora errada, as pessoas erradas na hora certa. O grande mistério é não saber por que as coisas acontecem, mas mesmo assim fazer acontecer. Os olhos pequenos continuam pequenos, mas tentando ser menos tristes, quer passar alegria a quem olhar dentro deles. E esse pé, com salto ou descalço, na fossa ou nas nuvens vai longe, há vai.



Ps. A historia da menina continua, mas em outras aventuras...