À procura...

...da sabedoria, da felicidade, do amor e de várias coisas que eu perdi...e de outras coisas que ainda não encontrei.

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...da sabedoria, da felicidade, do amor e de várias coisas que eu perdi...e de outras coisas que ainda não encontrei.
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Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

29.04.08

Sem motivo



Amar é fácil o amor é inerente ao ser humano, você aprende por osmose. Você já nasce sendo amado, e aprende a amar assim. Amar não dói, ou não deveria doer. Amor é puro, se não for assim, amor não há de ser. Ame tudo no mundo, mas antes de tudo ame você.

Deixar de amar é mais fácil ainda. As perguntas certas são sempre, quem e por quê? Quem você ama? E por que deixar de amá-la? Quem tem um bom motivo tem tudo. Não ser amado pode ser um bom motivo, ou sinceramente, não. Sofrer por ele sim, por isso deve-se deixar um amor, se te trás menos alegria e mais dor. Tenha um bom motivo pra deixar de amar. Porque amar, agente ama sem motivo.

Izis Bispo

25.04.08

Onde foi parar esse pé – parte III


Voltando pra casa, naquela quarta chata, como todas as quartas hão de ser, ela ensaia como será a conversa, a conversa que vem adiando há algum tempo. Se preparou bastante, pois não quer chorar igual uma babaca na frente daquele que ela não sabe se ainda vai amar ou se vai odiar. Depois da conversa que ocorrerá em um fim de tarde de domingo, muitas coisas podem mudar.
Dentro daquele ônibus decidiu marcar tudo, foi bem fria ao telefone. Sentadinha no coletivo lotado pensava no que deveria ser dito durante a conversa, esperava não esquecer de nada, mas ela queria mesmo era esquecer de tudo que aconteceu. Ao olhar todos aqueles rostos cansados, entre um deles havia um, não tão cansado, que lhe pareceu familiar. Este rosto também a reconheceu, mas neste instante ela preferiu fingir não ver, mas já era tarde. De repente passando por meio daquele povo todo chega ao lado dela aquela figura esguia, figura que em outros tempos fariam suas pernas tremer, seu coração saltar pela boca e seu sorriso se abrir de orelha a orelha. O primeiro amor agente nunca esquece, como dizem, mais pelo menos agente deixa de amar. Ela descobriu isso ao conversar alguns minutos com aquele jovem sorridente, seria aquilo um sinal. Ela sempre acreditou em sinais, e neste momento precisava de um sinal, tipo um semáforo piscando as três cores. Mas aquele talvez fosse o sinal que esperava, ver aquele por quem foi tão apaixonada, e que não encontrava há tanto tempo, a fez perceber que talvez com o passar do tempo, seria assim também com o Garu. Talvez um dia ela o encontrasse por acaso em um coletivo da vida, e olhasse pra ele com nostalgia, e se recordasse apenas que um dia amou muito aquela pessoa. Mas para isso precisaria de tempo, no caso do sorridente garoto esguio passou-se dois anos, no caso do Garu, ela são sabia de quanto tempo ia precisar. E nesse caso, se o tempo iria adiantar.

(continua...sempre continua...)


24.04.08

Onde foi parar esse pé – parte II



Cinco. Um, dois, três, quatro, cinco. Na mão direita dela tinha cinco dedos, na verdade na mão direita da maioria das pessoas tem cinco dedos, tirando é claro o companheiro que não ta afim de renegociar o tratado de Itaipu. Mas na verdade ela não tem certeza se é na mão direita ou esquerda do presidente que falta uma dedo, mas ela pouco se importa. Ela se importa mesmo é que faz cinco dias que ela tirou da bendita mão direita a aliança de compromisso de que tanto gostava. Aliança esta, ganha graças a uma festinha que foi na USP, onde não encontrou nenhum nerd, sem segundas intenções é claro, pois ninguém em sã consciência tem segundas intenções com algum nerd. Mas ela foi até a tal festa, pois achava que lá na USP haveria pessoas especiais, dotada de inteligência extrema, e não dotadas de senso estético. Para sua decepção lá havia era muitas pessoas bem arrumadinhas, e metidas, e ninguém parecia ser muito melhor que ela. Ninguém parecia ser algum tipo de ser superior que não se rende as convenções estéticas e culturais do mundo capitalista. E então porque ela não passou na USP? essa pergunta não faz sentido agora, então fica pra outra hora. O interresse dela era puramente intelectual, mas o Garu ficou preocupadinho, e resolveu escolher a aliança logo. Talvez para marcar território, ou para deixá-la felizinha, mas ela não se importou muito com a razão, ela gostava mesmo era da aliancinha, que de pequena não tinha nada. Era tipo LL, larga e lisa, discreta, mas bem à vista, como ela queria. Apertada também diga-se de passagem, pois o medo de perder era grande, como o medo de perder o namorado, mas agora o que restou foi a marquinha no dedo, só uma lembrança de algo que já esteve ali. Até cinco dias atrás, com muito orgulho, estava ali.

(continua...)


23.04.08

Onde foi parar esse pé – parte I

Quando parava de chorar, a menina dos olhos pequenos tentava organizar os pensamentos. Ela elaborava teorias, das mais variadas e, diga-se de passagem, mirabolantes, para tentar explicar aquela situação. Uma delas, a que ela “viajou” mais para poder elaborar, era a de que seu Garu havia sido abduzido por extraterrestres, seu corpo estava sendo estudado por estes seres, que possuíam uma tendência homossexual, pois para não querer lagar ele né. Um deles copiou-lhe a forma humana, e é claro que para não levantarem suspeitas fizeram um backup das memórias do Garu, para poder saber como agir aqui na terra perante os entes queridos do abduzido. O plano dos verdinhos era de afastar a todos que o amavam, para que ele aos poucos pudesse ser esquecido, e eles poderiam ficar com ele em testes para todo o sempre. Como ela era sortuda pra caramba, seria a primeiríssima da lista. Na cabeçinha atordoada dela, só isso explicaria o extraordinário pé na bunda que levou. Aquele monstro que terminou o namoro com ela, ressaltando, “pelo comunicador instantâneo” não era o garoto doce por quem ela se apaixonou, isso era inadmissível.
Emocionalmente nenhum pé na bunda é admissível, todos sofrem com a rejeição, uns mais outros menos, mas todos sofrem. Mas aqueles olhinhos, que nas fotos em que está sorridente, parecem até estar fechadinhos de tão pequenos que são, não conseguiam parar de chorar por muito tempo. A mãe, solidária, dizia que ela estava doente, quando algum familiar requisitava a presença da chorosa abandonada, a irmã mais nova, e mais próxima, não dizia nada quando a via chorando no quarto escuro que compartilhavam todas as noites. O único comentário feito por ela, quando a chorosa depois do terceiro dia decidiu cessar um pouco o drama e tentar fazer contato com outros seres humanos durante a novela das seis, foi de que - não dá pra ficar assim o tempo né - e a chorosa respondeu – já parei já, já parei – mas com os olhos já cheios de lágrimas novamente.

(continua...)

22.04.08

Quando alguém lê o que eu escrevo

 

Quando alguém lê o que eu escrevo
Consegue sentir comigo minha dor,
Consegui sentir o cheiro do desespero,
Consegui sentir o peso do desamor ?

Quando alguém lê o que eu escrevo
Pode ver minhas lembranças,
Pode ter minha esperança,
Pode saber tudo o que sei ?

Quando alguém lê o que escrevo
Só quero saiba que o eu senti.
Mas que não passe pelo que passei,
Que apenas aprenda, e acerte onde eu errei

Izis Bispo